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Reciclagem, requalificação,
rearquitetura vem se tornando problemas corriqueiros na agenda do
arquiteto contemporâneo. A situação reflete o interesse cultural e
econômico na conservação de testemunhos do passado, mesmo quando de
um passado recente. Entre eles se contam também os exemplares da
arquitetura que se firmou proclamando-se moderna em 1928, entrou em
crise de identidade por volta dos 1970 e pode considerar-se agora
patrimônio. O interesse abrange a edificação ordinária e a
monumental, qualquer que fosse o seu compromisso original com a
durabilidade.
Favorece a coexistência no espaço de formas de épocas distintas,
alia-se à valorização multifacetada da diversidade. Afinal, o
espírito do presente não é exclusivista nem utópico. Estranha a
idéia da construção sobre terra arrasada dum
admirável mundo novo formalmente unificado. Parece-lhe anacrônica,
culturalmente absurda e economicamente míope.
De outro lado, reciclagem,
requalificação, rearquitetura se generalizam porque pressões
culturais e econômicas conspiram contra a conservação de testemunhos
do passado na feição e função original. Em raros casos, a conversão
da obra em museu de si própria é saída razoável, mas mesmo então
alguma intervenção adaptativa se impõe. Daí que a conservação é, em
maior ou menor grau, fragmentária e híbrida, fruto de um projeto
singular e novo. Reciclagem, requalificação, rearquitetura
constituem um projeto ambivalente, cuja matéria prima é pedaço de
forma do passado mas é moderno na acepção comum de empreendimento de
hoje, ainda que o pedaço seja moderno no sentido particular de forma
de ontem. Os paradoxos que propõem merecem exploração ampla e
profunda. Os trabalhos aqui registrados aceitaram esse desafio e
comprovam, uma vez mais, a importância do DOCOMOMO como foro de
discussão de arquitetura no Brasil.
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