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ARQUITETURA MODERNA NO NORTE E NORDESTE DO BRASIL :
UNIVERSALIDADE E DIVERSIDADE
Fernando Diniz Moreira
(Org.)
Recife, CECI/UNICAP, 2007. 392p. ISBN 857084125-6
A arquitetura moderna do Norte e Nordeste evidencia os conflitos e
dilemas que a própria arquitetura moderna enfrentou ao longo do
século XX. Após estabelecer seu programa e suas formas essenciais
nos anos 1920, a arquitetura moderna foi transplantada para regiões
que não eram urbanas e industriais e que estavam longe de um
processo de reforma social. Ela teve de lidar com a diversidade:
diversidade de programas, de lugares e de culturas. Seus aspectos
universalizantes tiveram de dialogar com heranças históricas,
práticas vernaculares de construção e continuidades clássicas e
tiveram ainda de se inserir em sociedades com culturas muito
antigas, algumas delas em rápido processo de modernização e
desejosas de símbolos de afirmação nacional.
Essa reconciliação entre o caráter universal, tecnológico e
globalizante da modernidade e culturas e tradições locais foi o que
tornou a obra de arquitetos brasileiros e finlandeses de meados do
século XX tão reconhecidas no mundo inteiro. Não obstante, essas
estratégias de reconciliação puderam ser vistas em outras sociedades
nas décadas seguintes como no México, Japão de Grécia e Índia.
Essas mesmas estratégias de reconciliação podem ser constatadas na
consolidação da arquitetura moderna no Norte e Nordeste. Os
arquitetos atuantes nessas regiões tiveram tiveram pela frente uma
série de desafios: Como incorporar as tradições da moradia nortista
e nordestina em uma casa moderna? Como responder à transformação
dessa mesma casa em apartamento, criando soluções bem sucedidas e
aceitas pela sociedade local? Como utilizar artifícios de adaptação
climática (cobogós, elementos vazados, brises) tirando partido deles
em uma composição arquitetônica? Como evitar a luz demasiada e fazer
as sombras criarem espaços? Como incorporar práticas construtivas
tradicionais e fazer a interação entre processos artesanais e
processos industriais de construção? Como explorar as diferentes
texturas e cores dos materiais em planos e volumes na fachada em uma
composição harmônica?
O presente livro reúne 21 textos selecionados do I Seminário
DOCOMOMO Norte Nordeste. Realizado em 2006, o seminário foi
organizado pelo núcleo DOCOMOMO | PE, e promovido pelos
Departamentos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de
Pernambuco (UNICAP) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e
pelo Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada (CECI). O
encontro contemplou o debate sobre o processo de recepção, difusão e
consolidação do modernismo no Norte e Nordeste e sua relação com o
contextos e a culturas locais com o intuito de impulsionar o debate
sobre documentação e conservação da arquitetura do Norte e Nordeste
do país.
Sumário
Introdução: Arquitetura moderna no Norte e Nordeste: uma estratégia
de reconciliação | Fernando Diniz Moreira
Cidades fortes a partir de um modernismo fraco | David Leatherbarrow
Rio, Pernambuco, Rio Grande e Minas; contextualismo e heteromorfismo
| Carlos Eduardo Dias Comas
A pré-fabricação e a racionalização na arquitetura moderna em
Pernambuco na década de 30 do século passado | Geraldo Gomes da
Silva
Representações da modernidade: o Recife no início do Século XX |
Isabella Leite Trindade
Eu vi o modernismo nascer ... e ele começou no Recife | Sônia
Marques e Guilah Naslavsky
O Brasil moderno e a sua influência na arquitetura portuguesa: a
tradição em Brazil Builds (9143) e o seu reflexo no Inquérito à
Arquitetura popular em Portugal (1955-1961) | Ana Vaz Milheiro
Recepção e difusão da arquitetura moderna no Brasil: Norte-Nordeste
nas revistas francesas, inglesas e italianas entre 1940 e 1960 |
Maria Beatriz Camargo Cappello
Universalidade, diversidade e audácia da arquitetura moderna
Brasileira nas páginas de L’Architecture d’Aujourd’hui | Nelci Tinem
Frank Algot Eugen Svensson, arquitetura e ideologia | Andrey
Rosenthal Schlee
Alexandre S. Budeus na Bahia: a influência do modernismo alemão na
década de 1930 | Paulo Ormindo de Azevedo
A construção de um morar nordestino segundo o olhar do arquiteto
italiano Mário Russo | Renata Campello Cabral
Arquitetura moderna de Manaus: como a arquitetura moderna de
Severiano Mário Porto incorporou práticas construtivas e atendeu aos
condicionantes climáticos locais. | Graciete Guerra da Costa e
Antonio da Silva Filho Rodrigues
Expressões do moderno sergipano: as residências unifamiliares do
bairro São José nos anos 1950 e 1960 | Isabella Aragão Melo Santos e
Juliana Cardoso Nery
Caminhos da arquitetura moderna em Campina Grande: emergência,
difusão e produção dos anos 1950 | Marcus Vinicius Dantas de Queiroz
e Fabiano de Melo Duarte Rocha
Metodologia para análise do desempenho térmico de edificações
residenciais verticais em regiões de clima quente-úmido. Exemplos da
arquitetura moderna de Pernambuco | Paula Maciel Silva, Romena Luna
e Alex Azevedo de Lucena
Os prenúncios do paisagismo moderno: o Parque do Derby no “Novo
Recife” de 1924 | Ana Rita Sá Carneiro e Aline de Figueroa Silva.
Arquitetura Moderna no Campus da UFC | Cibele Haddad Taralli e Magda
Campelo
Bahia no Ibirapuera (1959) e Civilização Nordeste (1963): duas
mostras de cultura popular e a indicação de valores para a cultura
moderna Juliano Aparecido Pereira e Renato Luiz Sobral Anelli
A relação entre o artesanal e o industrial na obra de Flávio
Império: as bandeiras de carne seca produzidas no Recife no final da
década de 70 | Marcelina Gorni
Edifício do Pavilhão de Óbitos do Recife: uma experiência de
restauro de arquitetura moderna | Paulo Raposo Andrade, Andréa
Dornelas Câmara e Luciano Medina |