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Miguel Forte | 1915-2002 |
Miguel Forte fez parte da primeira geração de imigrantes italianos
nascida no Brasil. Fez o curso de Arquitetura, na Faculdade de
Arquitetura da Universidade Mackenzie no período de 1934 a 1939, em meio
à afirmação da arquitetura moderna no Brasil. Diferentemente de alguns
de seus colegas, que no início praticaram os mais variados estilos e
depois se consagraram como arquitetos modernos, Miguel nunca compactuou
com o ecletismo. Ainda na escola, enfrentou o severo professor
Christiano Stockler das Neves, ferrenho defensor das tradições
clássicas, com propostas já de cunho moderno.
Miguel foi estagiário do escritório Rino Levi, onde trabalhou por mais
um ano depois de formado, consolidando suas convicções modernas e
aprendendo o método de projeto e o rigor do detalhe. Trabalhou ainda um
ano no escritório do arquiteto Jaime Fonseca Rodrigues e em 1942, abriu
seu próprio escritório Firma de Projetos e Construções Forte &
Ciampaglia em sociedade com seu colega de faculdade Galiano Campaglia,
que viria a ser seu cunhado.
Miguel foi, entre os paulistas de sua geração, um dos mais entusiasmados
e persistentes adeptos do mestre americano Frank Lloyd Wright. Esse seu
encantamento o levou a realizar em 1947, quando tinha 32 anos, uma
viagem de seis meses aos Estados Unidos, junto com colega Jacob Ruchti.
Uma viagem que ampliou e apurou sua visão sobre a arquitetura. O apuro
da forma segundo os princípios orgânicos e sobretudo o interesse
despertado para o design, são as influências mais visíveis.
A preocupação com o sítio envoltório, o correto dimensionamento dos
espaços segundo suas funções e seu mobiliário, o cuidado com o detalhe,
a exploração dos materiais, o estudo da iluminação tanto natural como
artificial, a valorização da boa apresentação, são algumas das
características de seus trabalhos. Seus projetos mais conhecidos:
edifício do IAB(1946) junto com a equipe de Rino Levi e Zenon Lotufo;
sua própria residência (1948); a residência Enzo Segre (1950) a
residência Luis Forte (1952) e a urbanização da praia do Pinto em
Ilhabela (1970), onde também projetou oito residências, além da sua.
Fruto da dificuldade de equipar as obras com objetos coerentes com os
ambientes que criavam, Miguel e um grupo de colegas da Arquitetura do
Mackenzie, que tinham escritório no mesmo prédio da Rua Barão de
Itapetininga: Carlos Millan, Plínio Croce, Roberto Aflalo, Jacob Ruchti
e Chen Y Hawa, um arquiteto chinês que estava trabalhando com eles,
fundaram, em 1952, a loja de móveis e tecidos para decoração Branco e
Preto um empreendimento pioneiro na área de arquitetura de interiores.
Explorando principalmente a madeira e o desenho dos tecidos, projetaram
cadeiras, poltronas, mesas, que por muitos anos constituíram a mobília
padrão das casas modernas de São Paulo. As peças, mesmo produzidas em
série, mantinham a qualidade do acabamento artesanal. Os sócios, por
motivos particulares, foram se desligando e a firma fechou em 1970. O
livro Branco e Preto, da arquiteta Marlene Milan Acayaba, analisa essa
produção.
Miguel contribuiu com a formação de muitas gerações de arquitetos, um
mestre que tinha o dom de conquistar os jovens e despertá-los para o
prazer de fazer arquitetura. Foi professor da disciplina de Projeto da
Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie de 1964 até 2002.
Além de sua produção arquitetônica e de design, Miguel nos deixou seu
diário da viagem aos Estados Unidos, um precioso registro de época,
publicado no ano passado. Com uma incansável persistência, ele escreveu
praticamente todos os dias em que esteve fora do Brasil, descrevendo as
cenas e os lugares que visitou com requintes de detalhes, que nos
permite reconstituí-los com precisão.
MÔNICA JUNQUEIRA DE CAMARGO |
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