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Wright e Artigas: Duas Viagens

Adriana Irigoyen

São Paulo, Ateliê Editorial/FAPESP, 2002. 206 p.ilus. ISBN 85-7480-086-4


Não fosse a melancolia outonal de sua terra, talvez Frank Lloyd Wright jamais tivesse pisado no Brasil. [...] O Wright que aqui desembarcou em outubro de 1931 [...] vivenciava naquele momento uma entressafra artística e um vazio de trabalho [...]. Ele queria passear. Serelepe, cavou a passagem da esposa com os organizadores e vieram, e quiçá como tantos outros ilustres estrangeiros que aqui passaram, não mereceria mais que uma menção no noticiário mundano.
 

Mas quis o destino confrontar a presença do corpo de jurados do concurso com o rebuliço armado pelos alunos da Escola Nacional de Belas-Artes contra o afastamento do jovem diretor que conferia orientação modernizadora ao tradicional ensino da instituição: Lucio Costa. [...] Wright, o desavisado turista, repentinamente se tornou ídolo de um movimento. [...]

* * *

Foi Yves Bruand [...] que cristalizou o dito e desdito "período wrightiano" de Vilanova Artigas, entre 1938 e 1944. É lendária a viagem aos Estados Unidos que o arquiteto paulista, então com 41 anos, realizou entre setembro de 1946 e novembro de 1947 [...]. Um episódio sobre o qual pairava uma névoa mítica apropriada para um retrato de um artista quando jovem. [...] A convivência com o American Way of Life não demoveu a fé anticapitalista que povoou o discurso de maturidade de Artigas, mas renegar a influência norte-americana foi muito mais uma boutade de um ideólogo engajado que um arquiteto sensível à contribuição de um país que se tornou o exílio dourado dos luminares da arquitetura européia do século XX.
 

O resgate histórico que Adriana Irigoyen promove é de uma invejável precisão nestes e em muitos outros aspectos. Pode-se intuir esse rigor pela construção da narrativa, que se inicia no Rio de Janeiro, no dia 2 de outubro de 1931, quando Frank Lloyd Wright desembarca no porto do Rio de Janeiro, e se encerra em 3 de novembro de 1947, ocasião em que Vilanova Artigas desembarca no mesmo porto do Rio de Janeiro.

Ambos vindos dos Estados Unidos. Foram duas viagens cujas memórias são ora recuperadas neste precioso estudo - extremidades de um recorte analítico que examina a porção orgânica da arquitetura brasileira.

Trechos da apresentação de Hugo Segawa


SUMÁRIO

Presença
 

Wright no Rio
 

Referências, conferências
 

O concurso
 

A casa moderna
 

Rio por Wright
 

A reação acadêmica
 

O salão de arquitetura tropical
 

Polêmica
 

Abstração e natureza
 

Arquitetura orgânica
 

Apologia e rejeição
 

Orgânico ou racional?
 

Versão brasileira: Costa e Artigas
 

Inquérito nacional de arquitetura
 

Crônicas wrightianas
 

Legado
 

Um modelo para São Paulo
 

Pioneiros anônimos
 

Relações perigosas
 

Wright e Vilanova Artigas
 

Da destruição à reinvenção da caixa
 

A bolsa de estudos Guggenheim
 

Os caminhos da arquitetura americana
 

Álbum de viagem: as fotografias de Vilanova Artigas nos Estados Unidos (1946-1947)
 



ADRIANA IRIGOYEN é arquiteta pela Facultad de Arquitectura, Diseño y Urbanismo da Universidad de Buenos Aires. Foi ex-editora da revista argentina Summa, co-autora de Nueva Arquitectura Argentina (Bogotá, Escala, 1990). É mestre pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos/USP. O livro é uma versão ampliada da dissertação de mestrado defendida em 2000 sob orientação de Hugo Segawa.

 
     
 

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