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OBITUÁRIO ARQUITETÔNICO: PERNAMBUCO MODERNISTA
Luiz Amorim
 

Recife, 2007. 212p. ISBN 978-85-907304-0-8


O tema da conservação do patrimônio modernista do estado de Pernambuco é tratado sob a ótica da demolição e descaracterização de seus exemplares mais significativos. A perda destes exemplares é interpretada como uma morte arquitetônica, que é revelada através de suas diversas facetas. Esta morte pode ser prematura, quando mata antes mesmo da arquitetura se tornar plena em forma, função e espaço. Pode ser por abandono, quando dela se esvaem sentidos, funções, pessoas, ou motivada por ocaso natural, quando se deve a mazelas de nascença. Pode ainda se processar por transfiguração, quando ao espelho não se reconhece ou quando suas entranhas não mais obedecem ao sentido que lhes foi dado. Pode acontecer, ainda, pela presença parasitária de usos não previstos que a carcomem por dentro e por fora. Mas a pior das mortes é a anunciada, aquela prescrita nas normas dos homens, que estabelecem o princípio de que trocar uma arquitetura por outra é um bom negócio.

O obituário arquitetônico, que contém a inscrição de alguns mortos ilustres, é acompanhado de um registro com o natalício dos vivos que os substituíram. Colocados face a face, através de registro fotográfico e projetos arquitetônicos, deixam revelar as naturezas que os distinguem - além do fato vital de um existir e o outro não -, como os conceitos arquitetônicos que fundamentaram suas criações, os usos abrigados, as técnicas e os materiais de construção utilizados, e os hábitos e costumes impregnados na forma de organizar seus espaços.

Alguns mortos parecem ter tombado em vão. Em outros casos, o recém-nascido tem personalidade própria. Esse julgamento deve ser feito segundo a observância de muitos aspectos, dos mais subjetivos, ligados à memória e aos sentimentos individuais que tal obra emana, aos mais objetivos, como os impactos nas condições ambientais locais, no fluxo de veículos, na demanda por infra-estrutura urbana, entre outros. O julgamento é vosso.
 

 

Sumário
 
Notas precedente e necessárias
Os sentidos da morte e da vida na arquitetura
As  mortes e seus óbitos
     Da morte prematura
     Da morte de nascença
     Da morte por vaidade
     Da morte por parasitas
     Da morte por abadono
     Da morte anunciada
Por um outro paradigma de fazer cidades
Obituário

 

LUIZ MANUEL DO EIRADO AMORIM é arquiteto e urbanista, formado pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE em 1982, PhD em Advanced Architectural Studies pela University College London, em 1999. É professor associado da UFPE, onde coordena o Laboratório de Estudos Avançados em Arquitetura | lA2 e o Grupo de Pesquisa de Morfologia da Arquitetura. Em 2004 atuou como professor visitante no Taubman College of Architecture and Urban Planning, da University of Michigan. É co-autor de Delfim Amorim - Arquiteto e co-editor de A casa nossa de cada dia.

 

Pedido de remessa: enviar email para Luiz Amorim <amorim@ufpe.br>

 
     
 

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